Uma portinha clássica do Centro de Curitiba está prestes a completar 65 anos de muitas vidas. É a Mercearia S. Jorge, localizado na Rua Amintas de Barros, número 476, bem próximo da reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR). De acordo com Teresinha Dominga Cziulikowski, de 80 anos e proprietária do negócio, o mercadinho funciona no mesmo endereço desde 20 ou 21 de julho de 1961.
Quem abriu a loja foi José Cziulikowski, um descendente de polonês que veio de São Paulo para o Paraná no começo dos anos 1960. Ele começou o negócio junto com o irmão e desde sempre a mercearia funciona no mesmo lugar, atendendo há mais tempo ao público do que outro clássico vizinho: a Livraria do Chaim, aberta em 1967.
Foi dentro da mercearia, inclusive, que Teresinha, uma descendente de italianos, conheceu José, com quem ficou casada por cerca de 40 anos, até ele falecer dezoito anos atrás, aos 75. “Eu conheci ele aqui mesmo. Morava na região, aqui no Centro, vim comprar cheiro verde e começamos a conversar… Depois, vieram os três filhos: o Edson, que é engenheiro; a Ednea, economista; e a Dani, instrumentadora cirúrgica”, relata ela, orgulhosa.
Clientes ilustres e muita história para contar
Até hoje, Teresinha é quem produz alguns dos pães, bolos e bolachas vendidos no local. Também atende ao público, repõe mercadorias, e tudo o mais que for necessário. Um exército de uma mulher só, que recepciona a todos que visitam a loja de segunda a sexta-feira, das 9 às 17h30.
“Tive um empregado muito bom. Ficou nove anos comigo, aí ele casou e foi embora. Peguei outra, também casou e foi embora. Daí eu tô sozinha agora, faço o que posso. Mas preciso arrumar uma pessoa para me ajudar”, admite ela, que já teve nomes como Dalton Trevisan (que era vizinho da mercearia), Ivo Rodrigues (vocalista do Blindagem) e Jaime Lerner (arquiteto e ex-governador do Paraná) como clientes.
“O pessoal passa e pergunta ‘mas desde essa data?’ Eu sou teimosa, enquanto der a gente fica aí. Mas é bom, eu não sei, eu gosto daqui. Minha neta diz ‘a vó gosta de sofrer’, mas não é sofrimento. Converso muito aqui. Vem uma conversa, vem outra conversa…”, afirma ainda Teresinha. “O Greca era nosso freguês de queijo, para você ver quantas coisas que tinha quando estava com o meu marido, né? O Jaime Lerner, um dia queria jogar baralho aqui dentro com os fregueses. Muita gente passou aqui, é muita história pra contar.”
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