Ana Beatriz Stubinski, de 22 anos, a jovem que foi atingida por um galho de árvore na Praça Osório, no Centro de Curitiba, recebeu na noite desta terça-feira, 16 de junho, a aplicação da polilaminina. Ela está no Hospital do Trabalhador, onde a equipe responsável pelo tratamento ainda em fase experimental fez a aplicação do medicamento.
A substância é estudada pelo potencial de estimular a regeneração de nervos e tecidos lesionados da medula espinhal. O uso em Ana Beatriz foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Ana Beatriz está internada no Hospital do Trabalhador desde o último sábado (13), quando foi atingida por um galho de árvore enquanto passeava com a famÃlia em Curitiba. Ela deu entrada na unidade em estado gravÃssimo, com risco iminente de morte.
Força tarefa
A aeronave do Governo do Estado decolou do Aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, na tarde de terça-feira, seguindo para o Rio de Janeiro. Na sequência, a equipe embarcou para Foz do Iguaçu, de onde retornou à Capital paranaense no perÃodo da noite. A aeronave pousou no Aeroporto do Bacacheri por volta das 22 horas, permitindo que a aplicação fosse iniciada ainda dentro do prazo padrão ouro previsto pelo protocolo – de até 72 horas após o ocorrido. O procedimento foi conduzido pelo médico pesquisador Olavo Borges Franco, pelo neurocirurgião João Elias Sarraf e pelo coordenador do Programa de Acesso Expandido (Uso Compassivo) da Polilaminina, Mitter Mayer Borges.
Segundo o secretário de Estado da Saúde, César Neves, todo o esforço da equipe esteve concentrado, inicialmente, em preservar a vida da paciente para que, posteriormente, fosse possÃvel avaliar sua elegibilidade ao tratamento. “Quando ela chegou ao Hospital do Trabalhador, apresentava um trauma raquimedular e um trauma torácico muito graves, com risco iminente de morte. A prioridade absoluta foi salvar sua vida. Após a estabilização do quadro clÃnico, as equipes identificaram a possibilidade de inclusão no protocolo e trabalharam para que toda a documentação fosse analisada dentro da janela terapêutica. Não medimos esforços para garantir essa oportunidade de tratamento”, afirmou.
O coordenador do Programa de Acesso Expandido (Uso Compassivo) da Polilaminina, Mitter Mayer Borges, destacou a rapidez da mobilização realizada no Paraná e ressaltou o protagonismo do Estado na utilização da terapia experimental. “Esse resultado só foi possÃvel devido à gestão eficiente do Governo do Estado e da administração hospitalar, que compreenderam a urgência da janela terapêutica. Hoje, o Paraná é o estado brasileiro com o maior número de pacientes tratados com polilaminina”, disse.
REABILITAÇÃO – Com a aplicação concluÃda, Ana Beatriz permanecerá internada sob acompanhamento multiprofissional no Hospital do Trabalhador. Após a recuperação inicial e conforme a evolução clÃnica, a paciente poderá ser encaminhada para reabilitação intensiva no Hospital de Reabilitação Ana Carolina Moura Xavier (CHR), unidade integrante do Complexo Hospitalar do Trabalhador, onde dará continuidade ao tratamento com fisioterapia especializada.
Essa foi a 16ª aplicação da polilaminina realizada no Paraná. Os pacientes atendidos no Estado estão distribuÃdos entre os municÃpios de Cascavel (1), Curitiba (7), Londrina (1), Maringá (6) e Foz do Iguaçu (2). Ao todo, com a aplicação realizada em Ana Beatriz e em outro paciente internado no Hospital do Trabalhador que também aguardava pelo procedimento, o Brasil passa a contabilizar 87 pacientes tratados por meio da pesquisa.
A polilaminina é uma terapia experimental desenvolvida por pesquisadores brasileiros para o tratamento de lesões medulares agudas. Ela é desenvolvida a partir da laminina, proteÃna que já existe no corpo humano e é encontrada em grande quantidade na placenta. O procedimento integra o Programa de Acesso Expandido (Uso Compassivo), autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), enquanto seguem os estudos clÃnicos para avaliação da segurança e da eficácia da substância.
Participaram da ação o médico pesquisador Olavo Borges Franco, o neurocirurgião João Elias Sarraf e o coordenador do programa de uso compassivo da polilaminina, Mitter Mayer Borges.
Mãe de Ana Beatriz comemorou tratamento
Ao compartilhar as imagens, a mãe de Ana Beatriz, Vanessa Stubinski, agradeceu aos profissionais envolvidos no tratamento da filha e à s pessoas que têm acompanhado a recuperação da jovem. “Hoje meu coração transborda de gratidão. Em meio a um dos momentos mais difÃceis das nossas vidas, Deus tem colocado pessoas extraordinárias em nosso caminho”, escreveu.
Ana Beatriz ficou sem os movimentos das pernas após ser atingida por um galho que se desprendeu de uma árvore na Praça Osório. O acidente provocou lesões graves no pulmão e na medula espinhal.
