Por que casos de Covid 19 voltam a subir no Paraná, mesmo com vacinação

 


O Paraná tem, neste momento, novo crescimento do número de casos do coronavírus. Na terça (24), foram registrados 1.911 novos casos de pessoas contaminadas. Maior que no início do mês de agosto, com 481 casos confirmados. Já a média móvel de mortes está em 72 por dia. Para piorar, o Paraná está há mais de uma semana como o estado com a maior taxa de transmissão do vírus, com R.T de 1,11, cada 100 pessoas transmitem para outras 111. 

 

São números preocupantes, já que a expectativa era de que com o avanço da vacinação houvesse queda. O Brasil de Fato Paraná conversou com especialistas para entender as causas dessa situação. Uma delas é que, com o avanço da vacinação, mesmo lento, uma “sensação de normalidade” começou a ser gerada na população pelos próprios governos. Para o Professor Emanuel Maltempi, presidente da Comissão de Enfrentamento ao Coronavírus, da Universidade Federal do Paraná, “A culpa também é dos governos que começaram a passar para a população uma sensação bastante falsa de normalidade por causa de alguns dados que vieram pós-vacinação. Mas, com 25 a 70 mortes diárias e os casos aumentando, ainda é pandemia no pico. Não é situação normal”, explica. 

 

Variante Delta 

A outra causa apontada por Maltempi é o maior nível de transmissibilidade da nova variante, a Delta, que teve sua transmissão comunitária confirmada no Paranáno final de julho. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) confirmou na segunda (23) mais dois casos e um óbito dessa variante no Paraná. Agora, o Estado soma 58 casos e 19 óbitos da cepa. 

 

“É preciso olhar para países que tiveram o avanço da Delta muito rápido, justamente porque flexibilizaram os protocolos de prevenção por causa da vacinação. Inclusive descartando o uso de máscara. O resultado foi uma explosão de casos no Reino Unido e Estados Unidos, por exemplo”, diz Maltempi. O professor destaca ainda que nesses países a vacinação está mais avançada que no Brasil, e assim mesmo houve aumento de casos. “A vacinação quanto mais rápida acontecer, mais ela protegerá a população desta nova cepa. Mas, ela sozinha não é suficiente. Os governos precisam alertar sobre isso: você, vacinado, pega Covid 19 e transmite, por exemplo, para pessoas que não tenham ainda completado seu ciclo vacinal”, diz. 

 

A agência de saúde pública da Inglaterra divulgou levantamento acerca dos imunizantes e a eficácia contra a Delta. Na média, a efetividade ficou em 35% para casos sintomáticos da doença com uma dose, e em 79% com duas. 

 

Para a médica epidemiologista Denise Garrett, a tendência é que a onda provocada pela Delta seja curta, mas alerta para a demora na vacinação. “O grande problema é que no Brasil a grande maioria das pessoas ainda não completou o ciclo vacinal, o que garantiria maior proteção – entre os vacinados (duas doses ou dose única), o risco de infecção é três vezes menor e o de morte, no mínimo, dez vezes menor”, explica. O Paraná alcançou 66,67% (6.963.580) de vacinados com a primeira dose e 25,39% (2.651.981) com o esquema vacinal completo. 

 

Liberou geral 

Na mesma semana da confirmação da transmissão comunitária da Variante Delta no Paraná, o governo estadual começou o que se pode chamar fase “liberou geral”, autorizando o retorno presencial das aulas nas escolas públicas, com professores apenas com uma dose da vacina, além de outras flexibilizações, como a autorização de eventos para 500 pessoas. Já em Curitiba, a Prefeitura autorizou o retorno do público aos estádios de futebol e manteve a bandeira amarela, que indica menor risco que nas fases anteriores. (Br de Fato)

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