Crescimento de Curitiba amplia debate sobre moradia, infraestrutura e uso do solo

Estimativa do IBGE para 2025 e o novo PDUI-RMC colocam na agenda a necessidade de planejar territórios; Neoville, na região sul, é citado como exemplo de ocupação gradual

Crescimento de Curitiba amplia debate sobre moradia, infraestrutura e uso do solo
Maquete de representação dos terrenos do Málaga 4, localizado no Neoville, região planejada na zona sul de Curitiba-PRFoto: Gabriela Vizine, Gazeta do Povo

Curitiba passou a discutir com mais urgência como acomodar o aumento populacional, segundo estimativa do IBGE para 2025 que aponta 1.830.795 habitantes — acréscimo de 57.077 pessoas em relação ao Censo de 2022 — e com a apresentação do Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana de Curitiba (PDUI-RMC), anunciado pelo Governo do Paraná em março. O plano pretende orientar ações conjuntas em habitação, mobilidade, infraestrutura, meio ambiente e uso do solo para os 29 municípios da região.

A discussão colocada por técnicos e por atores do mercado imobiliário vai além da construção de casas. Especialistas e projetos em andamento mostram que antes da entrega de moradias há um conjunto de intervenções: estruturação viária, redes de água e esgoto, calçadas, áreas verdes e definição de usos que favoreçam a integração do território à dinâmica urbana.

Exemplo em desenvolvimento: Neoville

Na região sul da cidade, o Neoville é citado como um caso de ocupação planejada. Desenvolvido pela Canet Júnior desde 2005 sobre uma área superior a 1 milhão de metros quadrados, o projeto incluiu implantação de ruas ortogonais, infraestrutura, empreendimentos residenciais e equipamentos urbanos. O empreendimento também reservou áreas verdes significativas, com um bosque nativo e um parque linear, e passou de uma antiga propriedade familiar a um setor integrado à cidade.

Em junho de 2026 foi lançada a quarta etapa de terrenos residenciais no Neoville, batizada Málaga 4, com 13 lotes de 450 m² e 600 m² prontos para construir. A empresa afirma que as edições anteriores tiveram todos os terrenos comercializados. Para Jaqueline Milstein, diretora-presidente da Canet Júnior, a ocupação por terrenos permite que a consolidação do bairro ocorra de forma progressiva, acompanhando a implantação de infraestrutura e usos diversos. "Planejar um bairro é criar condições para que diferentes formas de viver possam coexistir", disse a gestora.

Moradora do Málaga 2, Rosiane Sabião relatou que a escolha pela área foi motivada pela infraestrutura e pela proximidade entre moradia, trabalho e escola; por isso adquiriu um novo lote no Málaga 4 como investimento. O caso ilustra a combinação entre iniciativa privada e decisões de planejamento que influenciam onde e como a cidade se expande.

O debate em Curitiba, em que se inserem estimativas populacionais e o PDUI-RMC, aponta para a necessidade de pensar a moradia como parte de um conjunto mais amplo de políticas públicas e intervenções urbanas, para evitar ocupações desarticuladas e atender à demanda por infraestrutura e serviços.

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