O prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, voltou a defender nesta quarta (10) a retirada dos trilhos da área urbana da capital e a construção de um contorno ferroviário. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou os investimentos obrigatórios da nova concessão da Malha Sul de trens, que vai definir a operação das ferrovias da região pelos próximos 30 anos, sem a construção de um contorno ferroviário para retirar os trens de carga da área urbana da capital paranaense. O pacote aprovado contempla apenas reparos nos trilhos e outras estruturas que já existem em Curitiba.
“Curitiba precisa ser ouvida na nova concessão da Malha Sul, que vai definir o futuro da ferrovia pelos próximos 30 anos. Somos favoráveis aos investimentos e à modernização da logística, mas não podemos aceitar a manutenção de um problema que afeta a cidade há décadas. O trem de carga corta Curitiba ao meio, prejudicando a mobilidade, a segurança e a qualidade de vida da população”, postou o prefeito nas redes sociais. “Por isso, defendemos a retirada dos trilhos da área urbana e a construção de um contorno ferroviário. Curitiba merece uma solução definitiva”. Pimentel disse ainda que vai defender essa posição até o fim: “Porque quem mora aqui sabe o tamanho do transtorno que o trem causa todos os dias”.
Pimentel ainda afirmou que está aberto diálogo, mas que Curitiba não vai assistir de braços cruzados uma decisão que impactada diretamente a vida da população: “Por isso fui a Brasília diversas vezes e falei com clareza ao Ministério dos Transportes e à Agência dos Transportes Terrestres (ANTT): Curitiba precisa ser ouvida. Não faz sentido discutir o futuro da ferrovia sem discutir o futuro da cidade”.
“Curitiba não pode ser obrigada a conviver por mais 30 anos com um problema que a população enfrenta há décadas”, postou ele nas redes sociais. “O trem de carga corta a cidade ao meio, fecha passagens, atrasa a vida de quem trabalha, estuda e precisa se deslocar todos os dias. É um problema que afeta a mobilidade, a segurança e a qualidade de vida dos curitibanos.”
Em nota encaminhada à imprensa, a ANTT informou que contorno ferroviário de Curitiba ainda pode entrar na nova concessão: “A ausência do Contorno Ferroviário de Curitiba entre os investimentos obrigatórios da proposta atual não significa que a intervenção esteja definitivamente afastada, mas sim que sua eventual implementação poderá ser discutida e avaliada em etapas posteriores, à luz das contribuições recebidas e dos mecanismos previstos na modelagem contratual.”
Audiências públicas sobre trens
Audiências Públicas também abrirão espaço para a discussão sobre a concessão. O prazo para envio de contribuições vai de 15 de junho a 10 de agosto de 2026.
As sessões presenciais ocorrem em quatro cidades, entre elas Curitiba, no dia 27 de julho. O local e horário ainda não foram definidos.
“A atuação integrada entre a ANTT, o Ministério dos Transportes e a Infra S.A. ao longo da estruturação do projeto garante que o processo chegue à consulta pública com estudos técnicos, econômico-financeiros e socioambientais consolidados para os três corredores, o que contribui para maior segurança jurídica e previsibilidade na futura concessão”, diz nota da ANTT.
Capital paranaense tem 37 quilômetros de trilhos
Em Curitiba, há 37 quilômetros de trilhos que cortam os bairros das regiões Sul e Leste. São 45 passagens de nível instaladas para a circulação de pedestres e veículos, a maioria no Uberaba e no Cajuru.A ligação férrea da capital com o mar foi construída pelos Irmãos Rebouças há mais de 100 anos, no período imperial.
As linhas férreas são uma concessão do governo federal. A Região Metropolitana de Curitiba faz parte da Malha Sul e quem explora atualmente é a Rumo Logística.
Curitiba é a segunda capital brasileira com mais mortes em acidentes com trens
Curitiba é a segunda capital brasileira com mais mortes em acidentes com trem e outros veículos ferroviários, enquanto o Paraná é o terceiro estado com mais óbitos nesse tipo de ocorrência. É o que revela um levantamento do Bem Paraná, feito com base no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Bem Paraná
