Carlos Moraes anuncia pré-candidatura a deputado federal e promete campanha contra polarização política

 


Jornalista e ex-candidato afirma que disputará vaga na Câmara Federal pelo Cidadania, critica pedágios, privatizações e defende reforma política para reduzir influência do Executivo sobre o Legislativo.


O jornalista Carlos Moraes confirmou que será pré-candidato a deputado federal nas eleições de 2026 pelo Cidadania, partido federado ao PSDB. Com histórico de participação em disputas eleitorais no Paraná, Moraes afirma que retorna ao cenário político com uma plataforma baseada no diálogo, na redução da polarização e na defesa de serviços públicos considerados estratégicos para a população.


Durante entrevista, o pré-candidato afirmou que pretende fazer uma campanha focada em propostas práticas para problemas do cotidiano, afastando-se do debate ideológico que, segundo ele, domina a política brasileira há mais de uma década.


“Quero pautar minha campanha na paz. O ódio não constrói, só destrói. Precisamos de diálogo e de soluções pragmáticas para os problemas da população”, afirmou.


Entre as propostas apresentadas estão projetos para ampliar a cobertura de internet nas rodovias pedagiadas do Paraná, implantação de dispositivos de segurança viária em trechos considerados perigosos e a criação de uma rede de acolhimento imediato para pessoas em situação de rua.


Um dos temas mais delicados abordados por Moraes foi o aborto. Embora tenha declarado ser contrário à prática, afirmou que a criminalização não resolve o problema.


“Sou contra o aborto, mas também sou contra a criminalização. Não é prendendo mulheres que se salva vidas. É acolhendo, oferecendo assistência social, psicológica e apoio familiar”, resumiu.


Segundo ele, o Estado deveria investir em políticas públicas preventivas e em uma estrutura de acolhimento capaz de reduzir o número de abortos realizados no país.


As críticas mais contundentes, porém, foram direcionadas ao atual modelo de concessão de rodovias implantado no Paraná. Moraes classificou as novas tarifas de pedágio como excessivas e afirmou que os contratos repetem problemas históricos enfrentados pelos usuários.


“Foi repetida a roubalheira. Temos rodovias já prontas e duplicadas com tarifas elevadas apenas para manutenção. O povo paranaense não pode se calar diante disso”, declarou.


O pré-candidato também criticou o sistema de cobrança automática Free Flow, apontando dificuldades enfrentadas principalmente por produtores rurais e moradores de distritos que precisam se deslocar diariamente entre municípios.


Outro ponto central do discurso de Moraes é a oposição às privatizações promovidas pelo governo estadual. Ele defendeu abertamente a retomada do controle público da Copel e afirmou que a privatização da companhia trouxe prejuízos à população, especialmente aos pequenos produtores rurais.


“Transformaram a melhor companhia de energia do Brasil em motivo de reclamação. Energia elétrica é um serviço essencial e não pode ser tratada apenas como fonte de lucro”, afirmou.


Ao comentar os frequentes relatos de quedas e oscilações de energia no interior do Estado, Moraes disse que a situação tem causado prejuízos a produtores de leite, frango e pescado, principalmente em regiões do Oeste e Sudoeste do Paraná.


Na mesma linha, o jornalista se posicionou contra a possível privatização da Celepar. Para ele, a estatal desempenha papel estratégico na proteção de informações dos cidadãos.


“Os dados dos paranaenses não podem ser entregues ao mercado. Informação hoje é poder, e a Celepar tem uma função essencial para o Estado”, disse.


Moraes também aproveitou a entrevista para defender uma ampla reforma política. Entre as propostas está a desvinculação das eleições para o Legislativo das disputas para governador e presidente da República. Segundo ele, o modelo atual estimula acordos políticos e reduz a independência dos parlamentares.


O pré-candidato ainda fez críticas ao sistema de emendas parlamentares, especialmente às chamadas emendas Pix, defendendo mecanismos mais rigorosos de fiscalização e transparência sobre a aplicação dos recursos públicos.


Questionado sobre a sucessão do governador Ratinho Junior, evitou declarar apoio a qualquer pré-candidato ao Palácio Iguaçu, mas fez duras críticas à atual gestão estadual.


“O governo foi muito eficiente no marketing, mas isso não significa que tenha atendido quem mais precisa. Quando analisamos temas como Copel, Celepar e as tentativas de privatização de serviços públicos, vemos um Estado cada vez mais distante da sua função social”, afirmou.


A pré-candidatura marca o retorno de Carlos Moraes às disputas eleitorais. Em 2002, ele concorreu a deputado estadual pelo então PPS e ficou na primeira suplência com 18.160 votos. Em 2018 disputou uma vaga na Câmara Federal pelo PV e, em 2020, foi candidato à Prefeitura de Cascavel.


Agora, novamente pelo partido que sucedeu o antigo PPS, Moraes tenta transformar a experiência acumulada no jornalismo e na vida pública em uma candidatura competitiva para representar o Paraná na Câmara dos Deputados em 2026. Gazeta do Paraná

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