Moraes apresenta defesa e acusa relatório da Polícia Federal de tentar influenciar eleições de 2026

Em documento de 44 páginas enviado ao relator do caso no STF, ministro diz que investigação foi motivada por 'vingança' e nega troca de mensagens com ex-banqueiro

Moraes apresenta defesa e acusa relatório da Polícia Federal de tentar influenciar eleições de 2026
Ministro Alexandre de Moraes apresentou defesa quanto ao julgamento desta terça-feira. Foto: Rosinei Coutinho/STFFoto: Rosinei Coutinho/STF, Banda B

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, apresentou defesa de 44 páginas e afirmou que o relatório da Polícia Federal elaborado a pedido do ministro André Mendonça tem caráter político-eleitoral, foi motivado por "vingança" e visa interferir nas eleições de 2026. O documento foi enviado ao relator do caso, ministro Edson Fachin, e se refere a julgamento marcado para esta terça-feira (15) sobre possível abertura de investigação contra Moraes.

Principais pontos da defesa

Na peça, Moraes nega que as mensagens atribuídas a ele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tenham sido trocadas diretamente pelo aplicativo e sustenta que grande parte do conteúdo apontado no relatório da PF estava registrada em notas no aparelho de Vorcaro, e não em conversas. Segundo a defesa, 47 das 52 notas apontadas não foram localizadas em histórico de conversas no aplicativo apresentado pela investigação.

O ministro afirma também que as imagens com visualização única e capturas de tela constam no material, o que, na visão da defesa, afasta a alegação de diálogo efetivo entre as partes. Moraes considera as acusações "mentiras criminosas" e atribui a iniciativa de apresentar o relatório à intenção de favorecer um grupo político, citando a proximidade com datas de manifestações e com o calendário eleitoral.

Acusações de interferência externa e motivação política

A defesa sustenta que a Polícia Federal não teria atuado de forma exclusiva no relatório e sugere auxílio de um "órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro", o que, segundo o documento, caracterizaria tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026. Moraes também afirma que o direcionamento da investigação tem propósito de alterar o equilíbrio de forças políticas, por exemplo influindo em pautas legislativas como pedidos de impeachment.

Ao final da peça, o ministro afirma que a tentativa de golpe não teria terminado em 8 de janeiro de 2023, mas mudado de tática, e que o julgamento no STF integra esse contexto de disputa. O processo seguirá agora para apreciação do relator e eventual decisão do plenário sobre a abertura de investigação.

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