
Secretaria estadual diz que aulas de contraturno, currículo específico e formação de professores foram determinantes; ensino médio ainda ficou abaixo da meta do PNE
O governo do Paraná atribui a um programa de recomposição da aprendizagem focado em matemática e língua portuguesa o desempenho que colocou o estado no topo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em todas as etapas avaliadas, segundo informações divulgadas pela secretaria estadual de Educação e pela imprensa.
Programa e metodologia
Alunos do 9º ano do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio passaram a ter aulas de reforço no contraturno com um currículo elaborado a partir das dificuldades mais recorrentes detectadas nas avaliações. A iniciativa incluiu material estruturado, planos de aula detalhados e formação continuada para professores, além de, em alguns casos, a atuação de dois docentes na mesma sala. A secretaria informou que a estratégia foi aplicada exclusivamente nessas séries e que não há previsão de expansão para outras etapas.
Seleção de professores e formação
A seleção dos docentes responsáveis pela recomposição não se baseou apenas na antiguidade, segundo a secretaria. As equipes gestoras teriam escolhido professores com competências definidas previamente, e profissionais destacados em matemática e português foram convocados para capacitar colegas em encontros semanais. A Secretaria de Educação descreve esse conjunto de medidas como parte central do esforço para recuperar habilidades que vinham apresentando maior dificuldade.
Os resultados citados no relatório do Ministério da Educação mostram notas de 7,0 nos anos iniciais do ensino fundamental, 4,8 nos anos finais e 5,1 no ensino médio. A secretaria destacou avanços em matemática e português no ensino médio, com crescimento entre os maiores do país, embora o índice do nível médio tenha ficado abaixo da meta de 5,2 prevista pelo Plano Nacional de Educação.
A secretaria também relacionou desafios do ensino médio, como abandono escolar e mudanças sucessivas no modelo da etapa, e o secretário Roni Miranda criticou alterações na organização curricular que, em sua avaliação, teriam prejudicado a continuidade das políticas. Dados do Censo Escolar de 2025 foram citados para apontar persistência do abandono no 1º ano do ensino médio.