Pandemia faz gravidez na adolescência atingir seu menor percentual em Curitiba


Curitiba atingiu o menor percentual de gravidez na adolescência de toda a sua série histórica, de acordo com dados da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Curitiba, divulgados desde 1998. Em 2021, apenas 6,6% das gestantes na capital paranaense eram adolescentes – no Brasil, a média foi de 13,7% e no Paraná 11,1%, no último ano. 

 Os dados mais recentes foram apresentados nesta terça-feira (1º) em evento técnico on-line intersetorial realizado em alusão à Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência.

 Em Curitiba, o percentual de gravidez na adolescência, que chegou a bater quase 20% no final da década de 90, veio caindo gradualmente, ano a ano, a partir das políticas implementadas na cidade.

 Em 2016, antes do início da primeira gestão do prefeito Rafael Greca, esse indicador estava em 10,2%. Comparando 2016 a 2021, a redução deste percentual é de 35%. Analisando os números absolutos de bebês filhos de gestantes adolescentes, a redução chega a quase 50%. Em 2016, nasceram 2.368 bebês filhos de gestantes adolescentes. 

Em 2021, este número caiu para 1.220. O indicador de Curitiba coloca o município em posição de destaque em todo o cenário nacional. 

Dados compilados, disponíveis para o ano de 2020 (os mais atuais no âmbito nacional), mostram que Curitiba é, entre as capitais com mais de 1 milhão de habitantes, aquela que possui o melhor indicador. 

 Considerando o ranking geral das capitais, Curitiba só perdia em 2020 para Florianópolis. Em 2020, o percentual de grávidas adolescentes em Curitiba foi de 7,1% e em Florianópolis 6,9%. 

A terceira colocada foi Belo Horizonte, com um percentual de 8%. No Brasil, a média foi de 14% em 2020. De acordo com a secretária municipal da saúde Márcia Huçulak, os avanços foram obtidos a partir de uma convergência de ações na atenção primária. 

“Colocamos todas as nossas equipes com o olhar atento para esse tema, com ações e orientações para os adolescentes”, explica. 

 Neste sentido, a SMS promoveu, nos últimos anos, a sensibilização e a capacitação das equipes interdisciplinares que atendem na atenção básica sobre o acolhimento dos adolescentes e o planejamento reprodutivo e reforçou atividades que envolvessem os adolescentes. 

Um exemplo foi um concurso de redação realizado em parceria com Ordem dos Advogados (OAB) e algumas escolas municipais, por meio da Secretaria Municipal da Educação. 

 Segundo a coordenadora da área de Saúde Reprodutiva da SMS, Ângela Leite, a prevenção da gravidez na adolescência está relacionado a um trabalho intersetorial e interdisciplinar, ações na comunidade e também o olhar atento da própria família. 

 “É preciso ter espaço de atividades para esse público, informações sobre saúde reprodutiva, com um conteúdo que seja capaz de gerar autocuidado e autoestima, com a perspectiva deste adolescente no futuro. 

Acima de tudo, o adolescente precisa ter um espaço de escuta nestes ambientes. Ele precisa ser ouvido, sobre os seus anseios, dúvidas, medos e preocupações, para que possa ser acolhido e orientado”, explica. Tribuna
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