Balsa de ferry-boat de Guaratuba fica à deriva, e passageira desabafa: 'Dois sentimentos, revolta e medo'


Uma balsa do ferry-boat de Guaratuba, no litoral do Paraná, saiu de rota e ficou à deriva nesta quinta-feira (3), de acordo com uma passageira. O acidente aconteceu pela manhã, por volta de 7h35, dias depois de um atracadouro da travessia afundar e usuários do serviço enfrentarem filas de cerca de três horas. Assista no vídeo acima. 

 Uma passageira que estava na balsa no momento da travessia relatou o medo e a preocupação diante dos recorrentes problemas registrados no serviço.

 "Dois sentimentos. Revolta absoluta, tem dia que dá vontade de chorar você terminar seu trabalho e ficar três horas esperando para atravessar 800 metros. 

medo, insegurança. Faz sete anos que faço a travessia todos os dias, nunca tive medo, hoje eu tenho. Porque eu deixo dois filhos em casa, e diante de todas as barbaridades que a gente vê, você começa a pensar que há risco para a vida", desabafou Kássia Novochadlo. Katia é empresária e utiliza todos os dias o serviço. Ao g1, ela contou que na manhã desta quinta embarcou normalmente na balsa para a travessia, mas que o problema aconteceu logo após a saída da embarcação.

 "Saímos normalmente, e já quando saímos percebemos que ele estava em uma rota um pouco diferente. A balsa começou a girar e ficou à deriva. Foi para o outro lado do canal, para longe dos atracadouros, de repente parou lá no meio e a outra balsa começou a se aproximar, que era para socorro", contou. Segundo ela, nenhum representante da BR Travessias, concessionária do serviço, prestou esclarecimentos ou orientou as pessoas que estavam no local. 

 "A gente percebe que os funcionários também ficam desesperados pela condição. Tanto quanto tem as filas quilométricas, quando acontecem esses problemas técnicos. [...] Isso piora a sensação da gente, porque a gente percebe que eles também estão desesperados", afirmou. 

 O g1 tenta contato com a concessionária. Em 11 de janeiro, devido a problemas constantes que estão sendo registrados no ferry-boat, Guaratuba decretou calamidade pública e pediu ao governo do estado a quebra de contrato com concessionária BR Travessias.

 Também nesta quinta, uma decisão da Justiça determinou que a BR Travessias "realize imediatamente as intervenções necessárias para manter a segurança de toda a operação" no prazo de 20 dias, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. A medida é uma resposta à ação ajuizada pelo Departamento de Estrada e Rodagem do Paraná (DER) em conjunto com a Prefeitura de Guaratuba.

 Os órgãos entraram na Justiça na terça (1º) após avaliarem que "as tratativas administrativas referente às intervenções nas respectivas estruturas foram esgotadas e não tiveram êxito". 

Além dos problemas operacionais, a BR Travessias também foi autuada nesta semana pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Paraná (Agepar) por falta de esclarecimento de informações técnicas requisitadas sobre o serviço. 

 A situação foi em decorrência de uma investigação iniciada pelo órgão ainda em outubro do ano passado depois de problemas registrados na travessia. G1
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