Ministério Público vai interrogar Natanael Búfalo na próxima sexta-feira
O promotor de Justiça Edson Aparecido Cemensati, do Ministério Público (MP) do Estado do Paraná, apresentou na quarta-feira passada (12) denúncia contra Natanael Búfalo, assassino confesso da garota Márcia Andréia do Prado Constantino, 10 anos, que foi encontrada morta no Sítio Kuroda, na zona rural de Maringá, no dia 20 de outubro.
O ofício encaminhado ao juiz da 2ª Vara Criminal de Maringá possui nove páginas e traz dez fatos delituosos que Natanael Búfalo teria praticado contra a garota.
A denúncia elenca todas as etapas sobre como o crime teria sido cometido, trazendo supostos detalhes do assassinato, e enumera que Natanael Búfalo teria cometido homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, vilipêndio ao cadáver (abuso sexual depois de morta), dois estupros e dois atentados violentos ao pudor contra Márcia Constantino, além de fraude processual.
Sobre esta última questão, o promotor explicou que Búfalo teria alterado a situação pré-existente para apagar os vestígios. Ele tentou atear fogo no corpo da garota, já morta.
“Agora é aguardar a audiência. Ele será interrogado na próxima sexta-feira, às 14 horas”, disse o promotor.
Ele afirma que a elaboração da denúncia exigiu dois dias de trabalho. “Foi bastante trabalhosa”, relatou. A denúncia requer que, além de Búfalo, sejam ouvidas 13 testemunhas para esclarecer o caso.
“Primeiro serão ouvidas as testemunhas de acusação. Depois as de defesa”, explicou Cemensati. O interrogatório será realizado na presença de defensores.
“Se ele não tiver um, será acompanhado por um defensor nomeado, provavelmente da assistência judiciária da Universidade Estadual de Maringá (UEM)”, disse o promotor.
“Se não houver incidente processual algum, ou seja, se não houver necessidade de exame de sanidade mental ou se não houver recurso, creio que até março esse processo estará na 1ª Vara Criminal, pronto para que o julgamento seja marcado”, contou Cemensati.
Quem vai realizar o interrogatório é o juiz Devanir Manchini.
O crime
Preso na mesma semana em que cometeu o crime, Búfalo contou à polícia que atraiu Márcia dizendo à garota que daria a ela um pedaço de bolo. Márcia brincava no pátio da igreja evangélica freqüentada pela família.
Búfalo disse ter levado a menina para casa dele, no Jardim Real. Após levá-la para o quarto, amarrou-a pelos punhos, pernas e pescoço, a estuprou e a violentou. Márcia teria chorado muito, pedindo para ser levada de volta à igreja.
Após abusar sexualmente da vítima, ele disse ter usado uma sacola plástica para asfixiar e matar a vítima. Em seguida, colocou o corpo no carro e levou-o para a zona rural, saída para Iguaraçu.
Antes de desovar o cadáver, ele debruçou-o sobre o capô do carro e abusou, novamente, do corpo. Em seguida, encharcou o cadáver com álcool, cobriu-o com palha de milho e ateou fogo. Após deixar o local, Búfalo retornou para casa e limpou o carro.
O lençol sujo de sangue foi deixado de molho na máquina de lavar roupas. Após trocar de roupas, ele passou na casa de uma amiga, no Jardim Quebec, para tentar montar um álibi, e retornou à igreja Assembléia de Deus, no centro da cidade.
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